18 de dez de 2009

17/12: Dia Municipal em Memória às Vítimas do Holocausto!





O calendário judaico é uma lição de História: Pessach conta sobre o Êxodo do Egito; Purim conta sobre os judeus na Diáspora (sob jugo do Império Persa); Sucot relembra sobre os 40 anos no deserto; Iom Haatzmaut comemora a história da criação do Estado de Israel. Se o povo judeu é denominado o Povo do Livro, pode também ser considerado o povo da História. A memória é parte integrante da sua identidade e elemento fundamental de sua continuidade.
Elie Wiesel sempre admirou a resiliência do povo judaico. Wiesel, o “mensageiro para a humanidade”, considera que a persistência multimilenar deste povo deve-se ao seu desejo característico de lembrança. A Hagadá de Pessach frisa a necessidade de recordar e manter viva a memória coletiva: “ve higadetá le binchá“ e contarás a teu filho". Na mesma narrativa, adiante, o texto recomenda de forma veemente: “Em toda geração deve o homem considerar a si mesmo como se tivesse saído do Egito”.
Pois bem, a tradição nos ensina a contar e sentir a história da escravidão, para que não sejamos mais escravos. Consequentemente, só poderemos evitar outro Holocausto se nos dedicarmos a propagar a lembrança daqueles que sofreram com a atrocidade nazista.
Minha família também foi vítima dos horrores da Guerra. Em abril de 1939, meus avós judeus (Humberto Pesaro e Gabriela Cohen Pesaro) tiveram que partir às pressas da Itália e embarcaram no primeiro navio, com meu pai, Giorgio, na época com 3 anos de idade, nos braços. Outras famílias Camerine, Muscati e Bolafi também vieram para o Brasil. Todos já sofriam com as leis raciais na Itália, como mostrou em seu livro “1938 – um raio de céu azul. As leis raciais na Itália” a escritora Edda Bergman, que por sinal veio no navio com o meu pai. A perseguição aos judeus foi implacável. Não é possível esquecer.
Hoje, aqui, eu, a comunidade judaica e políticos de bem como o Prefeito Gilberto Kassab viemos para fazer valer a História, para mais uma vez exaltar a necessidade de recordar, estamos aqui para que nossos pequenos, nossos jovens e nossos adultos tenham dias demarcatórios que os façam lembrar até onde a loucura de uns e a indiferença de muitos podem levar a Humanidade.
Hoje viemos comemorar o caráter cosmopolita de nossa cidade São Paulo, que se insere nos propósitos das Nações Unidas, determinando oficialmente uma data, o 27 de Janeiro, como Dia em Memória às Vitimas do Holocausto.
Nada mais pertinente do que escolher o dia 27 de janeiro como o Dia em Memória às Vítimas do Holocausto. Foi nesse dia, há quase 65 anos, que ocorreu a libertação de Auschwitz e foi, a partir da libertação dos campos de concentração, que o mundo começou a ter noção da enormidade da barbárie cometida.
É no aniversário desta libertação que nós devemos lembrar especialmente das vítimas deste período de exceção e de loucura humana, em que a razão deixou de existir. É a recordação da bestialidade, através de suas imagens, testemunhos e eventos comemorativos como este que sancionamos hoje, que será o veículo para evitar que as pessoas esqueçam.
Quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Eisenhower, encontrou as vítimas dos campos de concentração, ficou absolutamente estupefato pelas cenas inimagináveis de desumanidade e então determinou como fundamental o registro da tragédia, para que a memória se eternizasse.
Ele disse:
Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum momento ao longo da história, algum idiota vai se erguer e dizer que isto nunca aconteceu".
A comunidade judaica, vítima primordial deste episódio da erosão da humanidade, tem sido incansável em fazer lembrar ao mundo o desastre do Holocausto. Quando teve que conciliar a enormidade da barbárie para tentar explicar a inexplicável morte de 6 milhões de judeus no período da nacional-socialista, o amargo sentido dessa verdade impulsionou esta valente comunidade a buscar um caminho.
Foi então que o compromisso bíblico para com a lembrança ganhou ainda mais significado. A lembrança do Holocausto, os relatos e depoimentos dos sobreviventes, o registro de todas as vítimas, este é o caminho para que honremos os sacrifícios acontecidos.
Hoje, reafirmamos que SIM, vamos fazer o possível e o impossível para que TODOS lembrem e conscientizem o mundo. Só assim poderemos prevenir uma próxima tragédia de proporções outrora inimagináveis.
Pelos milhões assassinados nos guetos e nos campos de concentração. Pelos que vagaram pelos bosques e pelos que se esconderam em sótãos e em porões.
Pelos que buscaram refúgio no seio de outra religião ou pelos que esqueceram seu Deus. Pelos que perderam sua casa, sua dignidade e sua esperança.
Pelos que foram enforcados publicamente para que todos vissem e temessem. Pelos que foram sujeitos a experimentos nas mãos de bestas selvagens chamadas de médicos ou cientistas.
Pelos que morreram de fome e de sede, sufocados até a morte em vagões de carga ou nas câmaras de gás, mortos a tiros, enterrados vivos, ou cremados.
Pelos que santificaram o nome de Deus e do povo de Israel, recusando-se a se render, lutando até a morte. Pelos que permaneceram vivos para reviver os horrores, dia a dia, momento a momento.
Hoje, viemos dizer NIZCOR! Nós nos lembraremos das vítimas de ontem para que não existam mais infames genocídios no amanhã.

3 comentários:

Casadinha Mi disse...

Olá!

Nossa foi horrivel...mto triste.

Mas passando pra dizer tbem que eu to com mta saudade de vc, mas to sem um pingo de postar nada no blog ultimamente. Desculpa tah!

bjs e bom final de semana

Mi

Ir disse...

Florzinha,
Depois de tanta chuva, acho que esse findi vai ser bom...passei para desejar que ele seja lindo...

beijocas

Obs.: acho muito legal quando vc coloca pots contando um pouco da sua religião...se posso dizer assim...

Gisele disse...

Faço silêncio por um minuto em homenagem às vítimas, pedindo para que esses horrores jamais se repitam..

...

E, Feliz natal e Feliz ano Novo amiga. Que ele venha recheado de "novas emoções"

Mil bjos amiga